Nosso Lado Invisível - Parte 1
Toda uma encarnação é predominantemente um período de consciência. Os conceitos de consciência dos três principais expoentes da psicologia profunda, Freud, Adler e Jung, tornaram-se fundamentais à suas teorias e à aplicação que fizeram de seus estudos e pesquisas psicológicas. A psicologia de Jung é um sistema que trata dos problemas fundamentais do ser e, como tal, é um sistema psicológico, embora esteja relacionado de muitos modos com ciência, religião e filosofia. Do mesmo modo que a biologia é a ciência que lida com o corpo físico, assim, a psicologia toda abrangente de Jung constitui uma ciência do organismo vivo da psique. Para se compreender Jung, deve-se saber que por “psique” ele denotava “a totalidade de todos os processos psicológicos, tanto conscientes como inconscientes”. Isso é quase sinônimo do conceito popular de “ego” que em outras terminologias é o Eu subconsciente, diferenciado do Eu consciente ou Eu objetivo.
Em certo grau, Jung anteviu a importância do desenvolvimento
individual. Atualmente há uma tendência de tornar coletivos os
valores, de preocupar-se com o todo, seja com respeito à civilização,
seja com respeito à tecnologia que em certo sentido perdeu a ligação
com o Eu individual ou a alma do ser individual. Embora os sistemas políticos
tendam a subordinar o valor do indivíduo ou sua dignidade, devemos compreender
que o desenvolvimento individual, coerentemente é a chave do crescimento
pessoal. Nesse contexto Jung disse: “Essa transformação,
porém, só pode ter início com o indivíduo, pois
as massas são bestas cegas”. Se o indivíduo se transformar
na consciência do poder da eficácia do Eu interior, compreenderá
que possui uma fonte à qual pode recorrer.
Pelo desenvolvimento da consciência do seu Eu interior, ele retornará
ao que as religiões têm chamado de semelhança a Deus, isto
é, à natureza do ser divino da qual o indivíduo procedeu.
A responsabilidade e a tarefa da cultura ou do futuro da humanidade são
definitivamente responsabilidade e obrigação do indivíduo.
A sociedade geralmente é inferior ao indivíduo, fato mencionado
por Jung quando diz que a sociedade tende mais a agir como animal que como ser
humano, como entidade inteligente.