Conversa Desagradável
“Muito estranho isso” alguém comentou quando outro interrompeu dizendo não ser nada estranho para ele depois de ter lido um livro intitulado “De Carcamano À Comendador, A Imigração Italiana Da Ficção À Realidade”.
Conforme entendeu pela leitura do livro, no passado os nativos daqui estranhavam os comportamentos dos imigrantes que se instalavam em grandes residências. Seus filhos ao se casarem e terem seus filhos, continuavam na mesma residência morando com os pais, até com os avós e às vezes com tios também. A família numerosa sempre muito unida repartia entre seus membros suas alegrias e tristezas. Choravam muito quando um dos membros da família morria e isso causava estranheza nalguns dos nascidos nesta terra daqueles idos tempos. Com tradições diferentes, alguns nativos pareciam não ter elo familiar. Por algum tempo viviam com uma mulher, geravam filhos e os abandonavam como se fosse um proceder natural. Partiam para outras cidades ou outros Estados e repetiam esse proceder desvinculado de instinto familiar. Por isso, o costume imigrante de sempre se manter em família sem nunca abandoná-la, não penetrava na sensibilidade daqueles nativos mais ou menos nômades.
Eles espalharam seus genes e não é novidade quando
alguns de seus portadores se transformam em algozes ao tirar a vida de quem
eles nem mesmo conhecem. Sem a tradição do amor e do carinho entre
as famílias, a triste fatalidade que recai sobre uma delas não
é motivo de lástima para quem executa um de seus filhos. Lástima
é um sentimento incompatível e ausente no gene que direciona sua
tendência para uma atrocidade que seu possuidor pratica. Depois da leitura
do livro e pelas reflexões que ele provoca, nada mais de espanto existe
nesses crimes. A dor irreversível sentida pelas famílias envolvidas
com suas perdas irreparáveis é uma dor que pela falta de sensibilidade
emocional para senti-la, nunca terá o mesmo grau de profundidade na pessoa
que cometeu o crime, se ela de maneira igual perder um filho. Aquele integrante
da conversa baseou-se no livro que leu para sua análise dessas aberrações
humanas contadas aqui e nós nos aproveitamos de sua análise para
elaborá-la nesta crônica. Só nos resta agradecê-lo,
muito obrigado.