Divagações pela noite
Quando existe pausa dos ruídos, a noite volta a ser o deleite das reflexões. À noite, o silêncio dela, a inspiração que produz, o sentir paz, o perceber adentrar por todos os poros a força do mistério da energia que é a vida, tudo isso e muito mais é à noite dos boêmios individuais que mais vivem pela vida do que pelo mundo tumultuado e cruel da competição humana por ganhos além do necessário para a sobrevivência.
Noite, ela propicia o expandir da consciência que se alastra anônima imiscuindo-se pela atmosfera parecendo ser um “barulho do silêncio” quando ela impregna-se com a percepção do infinito como se ele também estivesse dentro de nós, sendo o que fomos antes de existir, somos existindo por dentro e assim seremos depois da morte, uma re-introdução no desaparecer da vastidão, dona de tudo que existiu, existe e existirá e pela eternidade sem nada perder.
Devaneio noturno é a independência, a verdadeira
liberdade para sentir a vida fluindo e jorrando pensamentos sublimes como, sou
grato por estar aqui onde tudo também está, nada está demais
e nada está faltando como só sentimos alguma falta quando falta-nos
à oportunidade para nos integrarmos com a plenitude da imensidão.
Percebê-la possuindo a lei única regente do universo de todas as
radiações criadoras de todas as manifestações físicas
visíveis ou emanações invisíveis, que, complementam
o Todo, tudo sendo inseparável, a não ser pela constituição
da consciência humana, instituída para conviver com separações
que as identificações produzem na mente, para poder manipulá-las
conforme a necessidade do seu existir neste mundo, onde, restrita na matéria,
a consciência é diminuída do abranger cósmico para
ser individualidade separada num ser perceptivo dela, entendido como o microcosmo
que o ser humano é, sendo um dos significados esotéricos da “queda
do paraíso” donde una e totalitária a. Alma (consciência)
se dividiu e “caiu” em segmentos para ser introduzida em seres vivos
para após suas mortes, resgatá-los e reunificá-los outra
vez na inseparabilidade que é a realidade cósmica entendida no
dizer esotérico como “retorno à casa do Pai” onde
o tudo é indivisível e nada compreendemos enquanto divididos,
vivemos no “eu sou eu e não sou você” neste mundo para
nossa consciência mais restrita a ele e o resto é só...
O silêncio da noite.