Falou está Falado - Parte 1
Nós, deste jornal eletrônico “A Semana” da cidade de Caieiras já ouvimos críticas construtivas sobre nossa maneira de escrever. Dizem que somos sucintos demais e nossos assuntos requerem maiores explicações, pois, os mesmos, às vezes não são habituais entre as pessoas e isso dificulta a compreensão deles. Agradecemos essas críticas construtivas, inclusive aquelas sobre palavras pouco usuais que possam confundir alguns leitores. Porém, acreditamos ser improcedente o atual costume de vulgarizar o nosso idioma para torná-lo mais compreensível para a maioria. Seria a nossa cumplicidade para mantê-la estática num nível inferior de assimilação. Quanto a sermos breves com os nossos temas, acreditamos ser de melhor proveito à variedade deles do que nos estendermos em poucos com eles exigindo maior tempo de leitura.
Causa algum espanto quando pessoas portadoras de diploma de “cursos superiores” demoram a entender uma frase de fácil compreensão como esta: “És senhor das palavras que não pronunciaste e escravo das que proferistes”. Seus sentidos auditivos podem estar desabituados com a pronúncia das palavras dessa frase. Por isso é comum pedirem para repeti-la e melhor se concentrarem nelas para poder entendê-las. Para pessoas com pouca instrução ou de pouca leitura, mesmo depois de várias vezes repetida à frase em questão, para muitas, ela não será entendida, por elas serem desprovidas de sinônimos com a mesma significação para confrontá-los com o que de “diferente” venham a ouvir.
Vamos repetir a frase e depois torná-la diferente mantendo
a mesma significação: “És senhor das palavras que
não pronunciaste e escravo das que proferistes”. Podemos verbalizá-la
assim: Você é o dono das palavras que não falou, mas, é
escravo daquelas que falou. Digamos que a primeira frase mais seja usada como
conteúdo de um livro, pois, no mesmo, seu autor possa querer utilizar-se
da prerrogativa de se dirigir a um público mais instruído. Na
outra frase, escrita diferente e embora com o mesmo significado, sendo mais
popular, seria ela para o nosso dia-a-dia com palavreado mais simples e comum.
Entretanto, isso distingue o nível intelectual entre pessoas, colocando
umas de um lado e outras do outro. Aquelas que entendem a frase primeiramente
como foi escrita, entendem também quando ela é pronunciada com
os recursos do linguajar comum que é acessível a todos. As outras
só entendendo a frase quando ela é pronunciada ao nível
popular comum, não a entendem quando ela é dita em outro nível
com sinônimos que lhes são desconhecidos. A seguir, vamos discorrer
sobre as conseqüências que o descuido do “lembrete” da
frase pode causar.