Nossos Segredos - Parte 1
Vamos separar pessoas em dois tipos: mentais passivas e mentais ativas. As passivas são aquelas que no fluir de uma conversa, ouvem tudo atentamente sem se induzir a uma introspecção simultânea sobre o que ouvem, se é ou não de seus agrados. Como gostam de conversar apenas por conversar, os assuntos, se interessantes ou não, não lhes importam. Não analisam as pessoas com quem conversam, comparativamente com elas. São desprovidas de inquietações internas por se relacionarem sem a preocupação por participar de assuntos mais relevantes. Elas também têm seus segredos quando se deparam com alguém mais dado a profundidades da existência e defrontes a ele, suas incompreensões acusando suas inferioridades, despertam nelas um constrangimento, cujos pensamentos por causa dele, se fossem revelados, poderiam ser de ressentimentos transformados em antagonismo contra o alguém em questão. Mas, o disfarçar sempre é mais óbvio para ocultar o sentimento de desajuste da circunstância desfavorável e esse é o segredo de muitos.
As pessoas mentalmente ativas, as mais abastadas com conceitos
e por isso sempre mais atentas ao que ouvem, elas, mesmo “sem querer”
podem reconhecer em outras pessoas, insignificância em seus assuntos e
pouca capacidade para outros com significância. Se forem intolerantes,
o segredo delas é não deixar transparecer o desagrado, a impaciência
de conversarem com as mesmas, consideradas retrógradas. Frente a frente,
quando as pessoas se comunicam, não é raro uma esconder da outra
uma antipatia. A antipatia pode ser disfarçada e ao ser exteriorizada,
mudada como sendo simpatia, enganando assim, a pessoa considerada antipática.
Nessa capacidade todos os seres humanos são ótimos atores. Ocultar
sentimentos preconceituosos, sentimentos de desagrado, de ressentimentos, de
desprezo, nisso e tudo o mais correlato, o homem tem a sua maior maestria. Em
desabafo para o “gasto de energia” provocado pelo ter que ocultar
e disfarçar a insatisfação sentida por alguém, comum
é se encontrar com outro e verbalizar-lhe com rudeza o que sua falta
de franqueza o impediu de diretamente falar para aquele de sua insatisfação
e sua insinceridade reverteu como prazer o repúdio pela pessoa, para
o bem de se manter sociável.