Viver Desvairado
Enganado e então conformado com a inferioridade de suas
possibilidades para sozinho se elevar a níveis superiores de consciência,
aqui entendida como espiritualidade, o homem se deixa armazenar por teorias
apenas faladas e repetidas, mas, nunca provadas. Elas são para a fé
se sobrepor à razão e vencê-la. Desprezando a razão
para confronto com a realidade, o homem mais se predispõe a mercê
de um viver desvairado sem assim se perceber. A humanidade convive com muitos
desvarios, mais ou menos, tornados “oficializados” entre todos os
receptivos deles, esquecidos de suas razões para poder avaliá-los
como inexeqüíveis, inviáveis. Se o homem fosse mais devoto
ao homem, resgatando sua importância e potencialidade, só elas
sendo a realidade alcançável nesta existência, deixaria
de ser vítima das “realidades” inacessíveis, inoperantes
então. Sua mente esvaziada das possibilidades apenas hipotéticas,
mais contribuiria com um viver unificado para reconhecer os valores que lhe
sejam discerníveis, portanto, reconhecidamente aplicáveis no seu
viver. Liberto de sugestões duvidosas, o homem deteria em sua consciência
o poder de sua razão e na prioridade dela abasteceria a sua mente com
conteúdos prováveis. Desprovido de improbabilidades, mais íntegro
então, o homem sente mais prazer em conviver consigo mesmo. É
mais contente com a sua situação mais autêntica, sem a necessidade
de ocupações triviais desnecessárias para se esquecer nelas.