A Psique Humana – Parte 15
“Somos nós os que levantamos a poeira e depois nos queixamos dizendo que não podemos ver”. (George Berkeley, 1685 – 1753). É isso mesmo! Criamos tantas hipóteses, tantas teorias, ouvimos e acreditamos em tantas superstições vindas de tantas “autoridades” desse nosso mundo de só “levantar poeira” e ficamos sem poder ver a verdade que nos interessa. Por dentro da “poeira” só enxergamos o que interessa aos outros, aqueles mancomunados em nos manter na cegueira, para que não percebamos nosso viver aprisionado num psicológico sistema dominador. A fuga dele fica por conta do debater-se na poeira que levantamos onde uma “onipresença” sempre estará a nos proteger, nos salvar e sempre irá castigar os culpados pelo nosso sofrimento de sermos cegos opcionais.
Felizardo é aquele que, na idade avançada, consegue
aceitar e refletir sobre os seus desencantos. Sorri de si mesmo e dos outros,
que, ainda vivem nas suas mesmas ilusões. Muitos, mesmo no final de suas
vidas, não conseguem se libertar das tantas mentiras que absorveram e
morrem na esperança do que elas ainda possam fazer por eles no quando
eles não forem mais eles. Aquela “onipresença” que
se ausenta na presença dos crimes hediondos, ela é invocada na
ausência deles, durante o pedido de passaportes para suas vítimas,
necessários que são para o cruzar da fronteira que separa este
mundo de um outro, acreditado por quem vive neste, só onde isso é
possível acreditar. Mas, no outro mundo, será que se acredita
que este existe? Talvez sim, porque, muitos dos daqui que já foram para
lá, foram para aguardar o dia e a hora de retornar, para aqui se aperfeiçoarem
até aprenderem a não mais levantar poeira. E assim, a psique humana
é o maior espetáculo existente neste mundo. Seu poder imaginário
é tão forte e produz delírios tão engraçados
nos seres humanos, nas suas práticas e crenças loucas, que, faz
gargalhar aqueles do não “levantar poeira” e que, melhor
enxergam. Será aconselhável uma pessoa “madura” refletir
sobre a existência? Sim, se gostar de dar risadas. Não, se for
daquelas que ainda acreditam na seriedade humana.