Vagas para todos
21/05/2012
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Cultura / Fabio Cenachi
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Fonte: Fábio Cenachi
O guardião da Constituição Federal, o STF, novamente suscitou debate de tema
complexo, oculto no íntimo da sociedade, ainda nublado por preconceitos de épocas menos felizes. A discussão das cotas raciais, levada à apreciação da corte suprema por uma ação proposta pelo partido político DEMocratas, a respeito das vagas reservadas nas universidades federais àqueles auto-declarados “afro-descendentes ou pardos”. Racismo no Brasil ainda não é questão bem resolvida. Não é questão bem resolvida pela própria humanidade. A história é pródiga em episódios nos quais o sangue foi derramado por paixões de raça, de religião e de sexualidade, ainda em nossos dias. E mesmo assim ainda fazemos questão de manter o assunto “sob o tapete”. O partido questionava a constitucionalidade do dispositivo segundo o qual se destinam 20% das vagas das universidades federais aos afro-descentes, desejando também que esse percentual fosse estendido aos pobres e socialmente vulneráveis. Tirando as questões de ordem eminentemente técnica, se descortina um universo elucubrações, com esteio no âmago do homem. Sociedade, justiça, evolução e até mesmo conceitos mais profundos ainda se misturam e ponderam os votos dos ministros, que compreenderam, aliás, constitucional a cota de reserva. Realmente, não sei aferir o resultado prático imediato da decisão, mas sei que sua discussão traz efeito benéfico a nosso País. Li, dia desses, em uma obra muito interessante, que os parâmetros morais e religiosos de uma geração condicionam diretamente o avanço da geração subseqüente... O que aguarda nossos filhos e netos?