VITAMINAS - POLIVITAMÍNICOS
COMENTÁRIO
Polivitamínicos podem retardar o envelhecimento biológico?
Dr. JoAnn E. Manson
Notificação
24 de abril de 2025
Um estudo recente apresentado nas Sessões Científicas de Epidemiologia, Prevenção, Estilo de Vida e Saúde Cardiometabólica da American Heart Association de 2025, realizadas nos EUA no início deste mês, intitulado Cocoa Supplement Multivitamins Outcomes Study (COSMOS), avaliou se a suplementação diária de polivitamínicos, em um ambiente de ensaio clínico randomizado, poderia retardar o envelhecimento biológico, medido pela metilação do DNA em relógios epigenéticos.
Pouquíssimas intervenções voltadas a retardar o envelhecimento biológico foram testadas em ensaios randomizados. Ainda, muitas pessoas têm deficiência de um ou mais micronutrientes, e uma alimentação saudável é fundamental para promover a saúde e prevenir doenças crônicas associadas ao envelhecimento.
Ensaios clínicos randomizados anteriores já demonstraram benefícios dos polivitamínicos na redução do risco de várias doenças crônicas. Por exemplo, tanto o Physicians Health Study II quanto a revisão da US Preventive Services Task Force de 2022 relataram redução na incidência do câncer invasivo total com a suplementação. Esses suplementos também foram associados a um risco reduzido de catarata no Physician's Health Study II e à perda de memória relacionada à idade e declínio cognitivo significativamente mais lentos em três subestudos controlados por placebo do ensaio COSMOS.
Portanto, tornou-se pertinente avaliar se a desaceleração do envelhecimento biológico poderia ser um fator contribuinte — ou mecanismo — para a redução no risco de doenças crônicas em resposta à suplementação multivitamínica.
O estudo COSMOS incluiu homens e mulheres com 60 anos de idade ou mais, com média etária de 70,2 anos. Cabe mencionar que sou uma das pesquisadoras. Aproximadamente 950 participantes que fizeram exames de sangue no início do estudo, e novamente após um e dois anos de acompanhamento, foram selecionados aleatoriamente. O envelhecimento biológico foi avaliado por meio de cinco relógios epigenéticos diferentes, dois de primeira geração, dois de segunda geração e o DunedinPACE.
Em todos os cinco relógios epigenéticos, houve um sinal de envelhecimento mais lento no braço multivitamínico em comparação com o braço placebo. Para os dois relógios de segunda geração — PCGrimAge e PCPhenoAge —, essa desaceleração foi mais significativa, com uma redução média de cerca de 10%–20% no envelhecimento biológico com o uso diário de poliivitamínico ao longo dos dois anos de intervenção. Isso equivalia a aproximadamente quatro meses de envelhecimento que pareceram ter sido evitados ou prevenidos. Entre os participantes que tinham envelhecimento acelerado no início da pesquisa, os benefícios relatados foram ainda maiores.
É evidente que esses achados precisam ser replicados, e polivitamínicos ou outros suplementos alimentares nunca serão substitutos de uma dieta e estilo de vida saudáveis. Ainda assim, os achados são promissores e sugerem que os comitês de diretrizes podem considerar avaliar os resultados desses ensaios randomizados e estudos mecanicistas para decidir se recomendações devem ser feitas para o uso de polivitamínicos (como método complementar) na prevenção de doenças crônicas do envelhecimento.
Este conteúdo foi traduzido do Medscape