DIABETES X MICRONUTRIENTES
O peso da deficiência de micronutrientes no diabetes tipo 2
Editado por Nathan Fernandes
Destaque
Uma metanálise global revela que 45,30% dos pacientes com diabetes tipo 2 apresentam deficiências de micronutrientes, com a deficiência de vitamina D sendo a mais prevalente (60,45%). Mulheres com diabetes tipo 2 apresentam maior prevalência de deficiências (48,62%) em comparação aos homens.
Contexto
As deficiências de micronutrientes são um problema significativo em todo o mundo, particularmente no Sul da Ásia e na África Subsaariana, podendo impactar o metabolismo da glicose e as vias de sinalização da insulina.
Estima-se que aproximadamente um terço da população global tenha pelo menos uma deficiência de micronutriente essencial, o que pode causar um déficit na ação da insulina devido ao estresse oxidativo ou à redução da atividade das enzimas associadas à insulina.
Múltiplos micronutrientes estão envolvidos nos processos metabólicos do corpo humano, e deficiência desses micronutrientes pode influenciar o metabolismo da glicose e as vias de sinalização da insulina, levando ao início e à progressão do diabetes tipo 2.
Evidências clínicas crescentes suportam que a falta de micronutrientes como biotina, cromo, tiamina, vitamina D e vitamina C pode ter efeitos metabólicos, sendo notavelmente prevalente entre indivíduos que têm tanto obesidade quanto diabetes.
A inconsistência na prevalência relatada em múltiplos estudos representa um sério desafio para médicos e formuladores que estabelecem políticas de recomendações nutricionais visando o tratamento do diabetes.
Metodologia
Pesquisadores conduziram uma revisão sistemática e metanálise seguindo as diretrizes PRISMA 2020 e o Manual Cochrane, bem como explorando sete grandes bases de dados, incluindo Embase, ProQuest, PubMed, Scopus, Biblioteca Cochrane, Google Scholar e LILACS, além de literatura cinzenta.
Uma análise abrangente incluiu 132 estudos com um total de 52.501 participantes, utilizando o software R V.4.3.2 com pacotes específicos como meta e metafor para produzir os resultados.
Pesquisadores utilizaram uma folha de extração de dados pré-pilotada para coletar dados relevantes sobre características e resultados do estudo, com dois autores independentes realizando a extração para garantir precisão.
A qualidade dos estudos foi avaliada utilizando a Lista de Verificação de Avaliação Crítica do Instituto Joanna Briggs, com análises de sensibilidade conduzidas a fim de avaliar mudanças na prevalência agrupada.
Principais Informações
A prevalência agrupada de deficiência de micronutrientes entre pacientes com diabetes tipo 2 foi de 45,30% (intervalo de confiança [IC] de 95%, 40,35-50,30; P = 0), com heterogeneidade significativa observada entre os estudos (I², 99%).
A deficiência de vitamina D foi a mais prevalente (60,45%; IC de 95%, 55-65), seguida pela de magnésio (41,95%; IC de 95%, 27-56); a deficiência de vitamina B12 foi maior no grupo que consumia metformina (28,72%; IC de 95%, 21,08-36,37).
Análises de subgrupos revelaram que a prevalência de deficiência de micronutrientes foi maior em mulheres (48,62%; IC de 95%, 42,55-54,7) em comparação com homens (42,53%; IC de 95%, 36,34-48,72).
A prevalência de deficiência de micronutrientes variou significativamente entre as regiões da OMS, com a maior taxa nas Américas (54,04%; IC de 95%, 35,03-72,48).