DERMATITE ATÓPICA
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Poluentes ambientais influenciam a gravidade da dermatite atópica em adultos, mostra estudo internacional
Editado por Leoleli Schwartz
A exposição a poluentes atmosféricos como material particulado (MP), dióxido de nitrogênio (NO₂) e dióxido de enxofre (SO₂) está associada a um aumento de 1% a 3% nas consultas de emergência e ambulatoriais relacionadas à dermatite atópica para cada aumento de 10 μg/m³ na concentração desses poluentes. Temperaturas extremas, tanto quentes quanto frias, também demonstraram associação significativa com a piora da dermatite atópica, ao passo que fatores como alta umidade, precipitação e tabagismo passivo contribuem adicionalmente para o agravamento da condição em populações adultas.
Contexto
A dermatite atópica é a condição inflamatória crônica da pele mais comum globalmente, afetando até 15% dos indivíduos em todo o mundo, com crescente reconhecimento de que fatores ambientais como mudanças climáticas e poluição do ar representam ameaças significativas à saúde que podem piorar o fardo de doenças afetadas pelo ambiente.
Embora a associação entre fatores ambientais e a dermatite atópica tenha sido bem estudada na infância por meio de diversas metanálises, ainda não havia uma avaliação completa das evidências em adultos, apesar da alta prevalência da doença nesta população, criando uma lacuna importante no conhecimento científico.
Concentrações crescentes de poluentes atmosféricos ambientais estão associadas ao agravamento de desfechos clínicos de condições inflamatórias, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias, enquanto o aumento das temperaturas globais, mudanças climáticas e eventos climáticos extremos também estão associados ao aumento da morbidade, o que demanda atualizações nas recomendações regulatórias para diretrizes de saúde pública.
As associações entre poluentes, clima e dermatite atópica permaneciam incertas, com alguns estudos relatando aumento da prevalência da doença diante de níveis aumentados de material particulado e gases nocivos, como monóxido de carbono e óxido nitroso; porém, outras pesquisas não relataram tal associação, criando, assim, a necessidade de uma síntese abrangente das evidências.
Estudos mecanísticos oferecem explicações para a associação entre poluentes atmosféricos e dermatite atópica, incluindo ativação do fator de transcrição receptor de hidrocarboneto aril (AhR), que, em modelos murinos, desencadeia respostas semelhantes à dermatite atópica, com certas variantes genéticas elevando ainda mais o risco de desenvolvimento da condição.
O objetivo desta revisão sistemática e metanálise foi sintetizar as associações entre, de um lado, fatores ambientais, entre os quais poluição do ar, condições meteorológicas e clima, e, de outro, desfechos em adultos com dermatite atópica, a fim de preencher uma lacuna crítica na literatura científica sobre esta população específica.
Metodologia
Pesquisadores conduziram uma revisão sistemática e metanálise examinando 42 estudos observacionais (coorte, caso-controle e transversais) de 14 países, sobretudo da China (16 estudos), da Coreia do Sul (7 estudos) e dos Estados Unidos (3 estudos), com dados publicados entre 1985 e 2024.
Um total de 11.402 citações foram identificadas por meio de busca sistemática nas bases de dados MEDLINE, EMBASE e Cochrane Central Register of Controlled Trials desde o início até 28 de junho de 2024, resultando na inclusão final de 42 estudos após rigorosa triagem.
As análises compreenderam estudos que avaliaram associações entre fatores ambientais específicos — entre os quais poluentes atmosféricos (material particulado de 10 μm ou menos [MP₁₀], material particulado de 2,5 μm ou menos [MP₂,₅], NO₂, SO₂, ozônio), condições meteorológicas (temperatura, precipitação, luz solar, umidade) e tabagismo passivo — e desfechos de dermatite atópica em adultos com 18 anos ou mais.
Modelos de efeitos aleatórios com máxima verossimilhança restrita foram aplicados para síntese de dados, com estimativas agrupadas relatadas junto com intervalos de confiança (IC) de 95%; a abordagem Grading of Recommendations Assessment, Development, and Evaluation (GRADE) foi utilizada para avaliar a certeza da evidência em todos os desfechos.
Medidas de desfecho primário incluíram prevalência ou gravidade da dermatite atópica, com foco particular em visitas a emergências e clínicas ambulatoriais relacionadas à dermatite atópica, enquanto a heterogeneidade foi avaliada usando a estatística I², testes χ² e inspeção visual dos gráficos em floresta.
Principais informações
Para cada aumento de 10 μg/m³ nos níveis de MP₁₀, houve um aumento de 1% nas visitas a emergência ou clínicas para dermatite atópica (razão de risco [RR] de 1,008; intervalo de confiança [IC] de 95%, de 1,003 a 1,012; alta certeza), ao passo que aumentos similares em MP₂,₅ resultaram em aumento de 1,3% (RR de 1,013; IC de 95%, de 0,999 a 1,027; certeza moderada).
Exposição ao SO₂ demonstrou associação mais forte, com cada aumento de 10 μg/m³ resultando em aumento de 2,9% nas visitas ambulatoriais por dermatite atópica (RR de 1,029; IC de 95%, de 1,020 a 1,039; alta certeza), enquanto o NO₂ mostrou aumento de 1,4% (RR de 1,014; IC de 95%, de 0,999 a 1,030; certeza moderada).
Temperaturas extremas quentes ou frias foram associadas ao aumento das visitas clínicas relacionadas à dermatite atópica (certeza de moderada a alta), com um estudo em Chengdu, na China, revelando uma curva de resposta em formato de U com efeitos observados em temperaturas inferiores a 19,6°C e superiores a 25,3°C, sendo que o risco quase dobrou (RR de 2,6; IC de 95%, de 1,4 a 5) quando as temperaturas ficaram abaixo de 0°C.
Níveis mais altos de umidade provavelmente estão associados ao aumento da gravidade da dermatite atópica (certeza moderada), enquanto alta precipitação, incluindo chuva, pode estar associada ao aumento da gravidade da dermatite atópica (baixa certeza), e tabagismo passivo e poluição de tráfego e plantas industriais provavelmente estão associadas ao aumento da prevalência de dermatite atópica (certeza moderada).