COP 30 Comentários
The Conversation Brasil,
A primeira semana da COP da Amazônia transcorreu sob muito calor e chuva. Não só aquela água que cai pesada diariamente nesta época do ano em Belém, mas também a chuva de protestos e reclamações - já esperadas - contra a organização. Já o calor, para além da canícula do novembro amazônico, veio também da participação sem precedentes dos indígenas, amazônidas, quilombolas e muitas maiorias minorizadas da sociedade brasileira.
Que se uniram aos cientistas do mundo inteiro no clamor por mais ações efetivas pelo clima, mais participação das populações que efetivamente sofrem com as mudanças climáticas, e menos discussões frias sobre financiamento e políticas de compensação de carbono. Tudo isso se manifestou em seminários, encontros paralelos, apresentação de estudos e tecnologias…
Mobilizações em profusão, que a equipe de jornalistas do The Conversation Brasil presente à COP procurou traduzir, na forma de artigos e de depoimentos em vídeo de acadêmicos e representantes da sabedoria dos povos originários.
Da pesquisadora Lira Luz Benites, do Centro Paulista de Transição Energética da Unicamp, vem uma análise do aprofundamento da contradição entre preservação e extrativismo ambiental que o Brasil vive desde o anúncio da exploração de petróleo na Amazônia, às vésperas do evento global em que tenta se posicionar como liderança global da preservação ambiental. Em seu artigo, Lira mostra que o dilema não é novo e não é só nosso, mas da América Latina inteira - especialmente os outros países que compartilham conosco o bioma amazônico.
Sobre isso, a geóloga Joana Angélica Guimarães da Luz, reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia, integrante da diretoria da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e conselheira do The Conversation Brasil, chama atenção em seu artigo que não é só a Amazônia que vive um dilema. Todos os demais biomas brasileiros passam por ameaças que vão da devastação pura e simples à falta de monitoramento dos órgãos competentes. E elenca, um por um, os desafios que enfrentam o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga, a Mata Atlântica e os Pampas - este último, o mais ameaçado de extinção e vítima de uma campanha deliberada de desinformação a respeito dos riscos que corre.
Da Itália, o pesquisador Francesco Grillo, do Departamento de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Bocconi, refletiu com exclusividade para o The Conversation Brasil sobre as recentes declarações do filantropo Bill Gates, que defende a ideia de que o desafio climático estaria diminuindo no mundo. Em seu texto, Grillo traz estatísticas e estudos que reafirmam que os riscos seguem crescendo, mas o que pode estar mesmo caindo é a disposição dos países ricos para financiar as ações urgentemente necessárias para combater o problema antes que seja tarde demais.
Entre muitos outros artigos, David Lapola, ecólogo da Unicamp, atualiza o andamento da instalação do megaprojeto ambiental AmazonFace, que vai simular a reação da floresta aos níveis de acúmulo de carbono na atmosfera previstos para as próximas décadas. Helena Pinto Lima, arqueóloga e curadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, descreve o projeto Vozes da Amazônia, que une cientistas amazônidas e indígenas para investigar as origens da diversidade biocultural da região. E Fernanda de Aguiar Coelho, doutoranda em Ciência Florestal da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, explica o que são e como a tecnologia digital revolucionou as modelagens de nicho ecológico, que ajudam técnicos e cientistas a preverem a tempo a chegada de pragas que ameaçam a agricultura e a silvicutura.
Tudo isso e muito mais, no site e nas redes sociais do The Conversation Brasil, em cobertura especial da COP 30.
Boa leitura!
Daniel Stycer
Editor-chefe