Fundado em 1982 Notícias de Caieiras e Região Caieiras - SP · 05/06/2026

LEITES X DRC (DOENÇA RENAL CRÔNICA)

24/04/2026 · Saúde

Este site é dirigido exclusivamente a profissionais de saúde

Medscape Logo

AI Mode

Medscape

COMENTÁRIO

Quais tipos de leite um paciente com doença renal crônica deve consumir

Brandy W. Root

Notificação06 de fevereiro de 2026

A dieta recomendada para indivíduos com doença renal é conhecida por ter inúmeras restrições que mudam constantemente. Sem contar as atualizações de diretrizes e novas pesquisas, um paciente com doença renal crônica provavelmente alternará entre diversas restrições alimentares ao longo dos anos devido a alterações em exames laboratoriais, medicamentos, estilo de vida ou dieta. Nesse sentido, a definição de limites para os níveis de consumo de proteínas, cálcio, potássio, fósforo e sódio pode ser indicada à medida que a nefropatia progride.

Essas restrições podem ser especialmente frustrantes para os pacientes, pois muitas vezes estão relacionadas a alimentos básicos do dia a dia. Por exemplo, o frango é rico em proteínas, enquanto as batatas têm um alto teor de potássio e o pão tradicional contém muito fósforo. O leite é um alimento especialmente complicado, por ser rico em todos os três, além do cálcio. É compreensível que nossos pacientes renais crônicos se sintam tão desorientados, visto que muitas vezes eles não sabem nem o que colocar no cereal no café da manhã.

Felizmente, os médicos podem ajudar nesse aspecto. Ao nos familiarizarmos com os prós e contras dos vários tipos de leite e ao orientarmos os pacientes sobre a melhor opção para cada um deles, podemos evitar toda essa incerteza no momento da refeição.

 

Leite de vaca

Graças a anos de propaganda e subsídios governamentais, o leite de vaca é o leite tradicional na maioria dos lares nos Estados Unidos. Não que eu esteja reclamando, até porque um biscoito quentinho com gotas de chocolate e um copo de leite gelado sempre vai bem.

O leite de vaca é rico em cálcio e potássio, contém muita proteína, gordura e carboidratos. Essa combinação o torna uma boa escolha para crianças em fase de crescimento e por isso ele tem sido um componente básico do programa de alimentação escolar definido pelo Departamento de Agricultura dos EUA desde a década de 1940.

Mas e no caso de pacientes com doença renal?

O conteúdo de proteínas e potássio presente nesse tipo de leite pode fazer com que ele não seja a escolha ideal para um paciente com doença renal pré-dialítica. Por outro lado, essa pode ser a opção perfeita para pacientes em diálise peritoneal ou qualquer outro paciente em diálise que esteja apresentando hipopotassemia. Frequentemente recomendo o consumo de leite para pacientes pré-dialíticos com alta demanda proteica devido a comorbidades catabólicas, como câncer ou HIV.

Leite de amêndoas

O leite de amêndoas muitas vezes tem uma má reputação porque essas sementes são ricas em potássio, mas o leite de amêndoas em si é muito pobre nesse macronutriente. Além disso, ele também é bastante pobre em calorias, carboidratos, proteínas e fósforo, o que o torna uma boa escolha para o paciente pré-dialítico.

Uma xícara de leite de amêndoas não adoçado contém cerca de 50% de toda a necessidade diária de vitamina E para um indivíduo adulto (cerca de 8 mg). Essa vitamina é um poderoso antioxidante, e estudos mostram que ela pode melhorar a função endotelial em pacientes renais.

O teor de vitamina E do leite de amêndoas faz dele uma excelente escolha para indivíduos com doença cardiovascular, uma comorbidade comum entre pacientes com insuficiência renal crônica. No entanto, o nível elevado de cálcio presente nesse tipo de leite pode torná-lo problemático no caso de pacientes com história de hipercalcemia.

Leite de soja

O leite de soja é um dos substitutos mais comuns para o leite tradicional, pois apresenta um teor proteico semelhante ao leite de vaca e é mais bem tolerado por pessoas com intolerância à lactose ou alergia a laticínios. Ele é frequentemente enriquecido com cálcio e naturalmente rico em potássio, assim como o leite de vaca.

Pesquisas demonstraram que as isoflavonas encontradas no leite de soja melhoram os níveis de creatinina, fósforo, proteína C reativa, ureia e proteinúria no paciente com doença renal crônica em comparação com o leite de vaca. Por esse motivo, o leite de soja pode ser uma boa escolha para o paciente pré-dialítico ou até mesmo para indivíduos em diálise que apresentam valores estáveis de potássio e cálcio.

Leite de aveia

O leite de aveia é o substituto de que eu menos gosto entre os disponíveis no mercado. Ele contém um pouco de fibras, algo que está ausente na maioria das alternativas ao leite. No entanto, ele também apresenta mais carboidratos sem uma quantidade significativa de proteínas para equilibrá-los, o que faz com que essa seja uma escolha pouco adequada para pacientes com doença renal crônica e diabetes mal controlado. Por esse motivo, não recomendo essa alternativa com frequência. Porém, como muitos dos meus pacientes gostam do sabor de um latte com leite de aveia, recomendo que ele seja consumido ocasionalmente, mas priorizando outras opções, como leite de amêndoas.

Leite de arroz

Quando eu estava na faculdade de nutrição, o leite de arroz era a opção recomendada para pacientes com doença renal crônica devido ao baixo teor de proteínas, potássio e fósforo. No entanto, sua popularidade diminuiu nos últimos anos, e a maioria dos meus pacientes considera seu sabor menos agradável do que outras alternativas. Portanto, embora ele seja nutricionalmente aceitável para o paciente pré-dialítico, raramente recomendo essa possibilidade.

Cuidado com a hipercalcemia

Quase todos os leites vegetais são enriquecidos com cálcio, o que significa que tanto o consumo de leite de vaca quanto de leite vegetal pode precisar ser limitado em indivíduos com hipercalcemia. Os pacientes que precisam limitar a ingestão de cálcio podem se beneficiar de produzir o seu próprio leite vegetal, supondo que tenham tempo, interesse e recursos para fazê-lo. Aqueles que optam por essa abordagem devem ser instruídos sobre o manuseio e o armazenamento seguros de alimentos, pois os produtos caseiros não contêm os conservantes encontrados nas versões comerciais.

Mantenha o foco nas necessidades do paciente

Após todas essas informações, a conclusão é de que o leite que o seu paciente com doença renal crônica usa no dia a dia (ou seja, o que ele coloca no cereal ou mistura com o café) deve ser compatível com suas necessidades. Um paciente pré-dialítico com doença cardiovascular pode se beneficiar do leite de amêndoas não adoçado. Já no caso de um paciente em diálise peritoneal, a melhor opção pode ser o leite de vaca. Um paciente em hemodiálise com intolerância à lactose pode ter mais benefícios consumindo leite de soja.

Alguns pacientes podem preferir leite de ervilha, caju ou cânhamo. Não tenho uma opinião muito consolidada sobre nenhuma dessas opções relativamente novas, pois os dados sobre seus potenciais benefícios à saúde são frequentemente limitados, mas estou sempre disposta a pesquisar sobre a preferência de um paciente.

Não estou sugerindo que nossos pacientes com doença renal crônica não possam tomar um sorvete ou um latte de vez em quando. O que eu geralmente recomendo aos meus pacientes é fazer a escolha “saudável” 90% das vezes e deixar a preferência individual guiar os outros 10%. Dessa forma, eles conseguem ter os benefícios à saúde do leite de amêndoas ou soja, ao mesmo que ainda desfrutam do seu leite preferido de tempos em tempos. Afinal de contas, todo mundo merece um copo de leite com um biscoito quentinho de vez em quando.

Este conteúdo foi traduzido de Medscape