Fundado em 1982 Notícias de Caieiras e Região Caieiras - SP · 05/06/2026

MAIS UMA GUERRA....OS COMBUSTÍVEIS VÃO SUBIR?

geral Fonte: BBC BRASIL

"Há mais clareza de que, até o momento, a infraestrutura de transporte e produção de petróleo não tem sido um alvo principal de nenhum dos lados"

"O mercado vai ficar atento a eventuais sinais de retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz, o que faria com que os preços do petróleo voltassem a cair","As cotações do petróleo neste momento não estão particularmente altas. Ainda estão abaixo do patamar de dois anos atrás, então ainda não estamos no modo crise do petróleo total ainda", avaliou Robin Mills, ex-executivo da multinacional petrolífera Shell e diretor executivo da consultoria Qamar Energy, com sede em Dubai.

No domingo, o grupo Opep+, que reúne países produtores de petróleo, concordou em elevar sua produção em 206 mil barris por dia para ajudar a amortecer eventuais aumentos de preços.

Alguns analistas alertam, contudo, que a medida pode ser insuficiente a depender da evolução dos acontecimentos e que o cenário de preços pode mudar substancialmente no caso de um conflito prolongado, que poderia levar a cotação do petróleo a ultrapassar US$ 100, com um possível efeito cascata global sobre a inflação e as taxas de juros.

"A turbulência e os bombardeios no Oriente Médio certamente serão um catalisador para interromper a distribuição de petróleo globalmente, o que inevitavelmente levará a aumentos de preços de combustíveis", pontuou Edmund King, presidente da Associação de Automóveis britânica (AA, na sigla em inglês).

"A magnitude e a duração dependem de quanto tempo o conflito durar."

Subitha Subramaniam, economista-chefe e chefe de estratégia de investimento da Sarasin & Partners, lembra que, no cenário de aumento persistente do petróleo, o impacto pode ir além dos combustíveis e se refletir em outros preços, como o de alimentos, produtos agrícolas e commodities industriais, com impacto importante sobre a inflação.

Em um quadro como esse, bancos centrais poderiam elevar as taxas de juros ou interromper ciclos de queda como o que acontece no Reino Unido, que tem visto a inflação ceder mais recentemente.

"Eu diria que, sabendo hoje que é improvável que esse conflito se encerre nas próximas uma ou duas semanas, não temos muito como saber o impacto da duração nos mercados de energia e de transporte marítimo", pontuou Subramaniam.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que três petroleiros foram "atingidos por mísseis e estão em chamas". As embarcações seriam do Reino Unido e dos EUA, que não se manifestaram sobre o assunto.

A Organização Marítima e de Transporte Marítimo do Reino Unido informou que "múltiplos incidentes de segurança" foram relatados no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã e aconselhou os navios a "navegarem com cautela".

Pelo menos 150 petroleiros lançaram suas âncoras em águas abertas do Golfo e na área do Estreito de Ormuz, de acordo com a plataforma de rastreamento de navios Kpler, que também mostrou, por outro lado, que algumas embarcações iranianas e chinesas passaram pela área nesta segunda.

"Devido às ameaças do Irã, o estreito está efetivamente fechado", disse Homayoun Falakshahi, da Kpler, à BBC News.

"As embarcações tomaram a precaução de não entrar. Os riscos são muito altos e os custos de seguro dispararam."

Falakshahi avalia que os EUA provavelmente tentariam proteger as rotas de navegação para permitir o tráfego de navios — o que, se eficaz, impediria uma disparada no preço do petróleo. Se o estreito permanecesse fechado por um longo período, entretanto, os preços poderiam subir "muito, muito mais".

Sem dar detalhes, a UKMTO comunicou que duas embarcações foram atingidas por projéteis desconhecidos, causando incêndios, e que um projétil desconhecido "explodiu muito próximo" de uma terceira embarcação.

Um quarto incidente na área também foi relatado à UKMTO, que informou que houve evacuação da tripulação e não deu detalhes sobre as causas.

A empresa privada de segurança marítima Vanguard Tech divulgou que incidentes foram relatados — que coincidem com os detalhes fornecidos pela UKMTO — envolvendo navios com bandeira de Gibraltar, Palau, Ilhas Marshall e Libéria.

O grupo dinamarquês de transporte marítimo de contêineres Maersk afirmou em comunicado no domingo (1/3) que suspenderá as viagens pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Canal de Suez e redirecionará os navios ao Cabo da Boa Esperança, ao sul do continente africano.